Temo que o que vá saír algo parecido com o tipo de pop psychology que uma rapariga adolescente de 15 anos escreveria. Como nunca cheguei a ser uma rapariga adolescente de 15 anos, perdoem-me, não custa experimentar. Não digam é a ninguém que este blog existe.
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Tive um momento de quando vi o filme Scarface. Apercebi-me que o meu melhor amigo, que me recomendava o filme há bastante tempo, segue uma narrativa semelhante ao Tony Montana. A mesma crença e ambição por poder e dinheiro, a mesma atitude "take no shit from nobody", a desconfiança pelo mundo em geral e das pessoas em particular... até o gosto por mulheres, como a Elvira - blasé, high-maintenance e preferivelmente que o tratem mal. Possivelmente viu o filme numa idade impressionavel e o fascínio ficou. Subconscientemente, o meu melhor amigo vive em parte seguindo uma narrativa tirada do Tony Montana. (ele é um gajo 5 estrelas, que não se entenda outra coisa por este parágrafo)
Por vezes, no processo de se conhecer uma pessoa, há um momento, um click, em que tudo passa a fazer sentido. Sinto que passei a compreender bem melhor a maneira de estar, de agir, as motivações e os sonhos dessa pessoa. Para além do momento em cima, já aconteceu quando visitei a terra natal de amigos meus e vi como cresceram, quando conheci o grupo de amigos dessa pessoa, ou até num momento de maior candúra durante uma conversa. Antes do 'click', todo o conhecimento que tinha sobre essa pessoa eram factos e observações. A partir desse momento chave finalmente passei a ter um melhor "understanding" do intangível. Não por ter adquirido um dado novo ou observado algo que não tinha observado antes, mas porque finalmente compreendi a narrativa ou 'história' dessa pessoa.
Ando considerar a ideia de que todos seguimos narrativa. Quando pensamos no passado, não o pensamos como uma série de eventos aleatórios. Somos selectivos e construímos a imagem do nosso passado que se encaixa numa narrativa que nós criamos. Quando imaginamos ou fantasiamos o futuro estamos ao mesmo tempo a construir uma narrativa que gostávamos de ter, e a construí-la a partir da imagem que temos de nós próprios e as ambições que temos no presente. Lidamos com o presente enquadrando-o na nossa narrativa. Rejeitamos opiniões e factos que forem contra a nossa visão do mundo (conceito que está relacionado com as narrativas); interessamo-nos e pelo que se enquadra a favor. Nunca lidamos objectivamente com a realidade do presente, ou com o passado.
Nada disto é propriamente novo. O que me interessa escrever são observações e desabafos de como este 'modelo' se enquadra na minha realidade. Mas não fica para já.
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