10.09.2009

Debates frustrantes

3. Debater questões económicas com pessoas de esquerda que só usam argumentos emocionais.

2. Discutir a teoria da conspiração por detrás do 11 de Setembro com pessoas que leram todos os artigos dos maluquinhos da prisonplanet e dos sites da nwo.

1. Discutir a teoria da evolução com pessoas religiosas com background em ciências biomédicas.

10.04.2009

Quando se pergunta "como estás?" a meio de uma conversa, a pergunta é tomada como mais sincera e a resposta é mais profunda do que se perguntarmos no início de uma conversa. (num contexto que faça sentido, claro)

Mas se não perguntarmos no início, somos tomados como mal educados.

9.17.2009

Excentricos inatos, não os do Euro milhões

Entre as minhas cituações preferidas estão estas duas do John Stuart Mill:

"That so few now dare to be eccentric marks the chief danger of the time"

"Eccentricity has always abounded when and where strength of character had abounded; and the amount of eccentricity in a society has generally been proportional to the amount of genius, mental vigor, and courage which it contained."
Apetece-me falar de um dos meus amigos preferidos, vamos chamar-lhe B. Nasceu na China em 85, mudou-se com a mãe para o Canadá aos 5 anos; não conhece o pai mas sabe que foi enviado para um campo de trabalhos forçados no Oeste da China pouco depois de ele nascer. A sua relação com a mãe é tumultuosa, muito por causa do conflito entre as expectativas e padrões rígidos típicos orientais da mãe e a maneira de ser anómala de B. B é autista.

E por ser autista não quer dizer que B seja deficiente e que só consiga sobreviver se for empoleirado num mongolitório qualquer. (Grande parte das pessoas que se situam no espectro autista vivem a sua vida sem problemas de maior, como o Nobel da Economia, Vernon Smith). B interessa-se obsessivamente por determinados temas e tem grande aversão a qualquer tipo de mudança na sua ordem das coisas. B não consegue compreender linguagem não verbal em geral e para os padrões das pessoas "normais", pode-se dizer que não consegue mostrar grande empatia ou reciprocidade emocional. Não que B não tenha compaixão ou sentimentos, tem é uma maneira diferente de os expressar.

Uma das obsessões mais fortes de B é pela Alemanha. Tanto que B decidiu abandonar o curso que estava a tirar no Canadá e ir estudar história numa pequena cidade Alemã. B já leu todos os livros possíveis sobre a 2ª guerra mundial em geral e sobre o Hitler em particular. É das pessoas mais inteligentes que conheço, e provavelmente a mais eloquente a escrever. O mais interessante é que B tem uma sempre uma opinião única sobre qualquer assunto, e demonstra-a com uma eloquência que poucos conseguem. Com frequência essa opinião é a antítese to politicamente correcto, mas quase sempre de enorme valor porque são originais e intelectualmente estimulantes (tipo completamente outside the box tazaver, ya?). Sem qualquer exagero, B tem eloquência e uma mente brilhante o suficiente para escrever best-sellers e ser um intelectual de topo.

Conheci B há 10 anos, num forum da internet e desde então a nossa relação mantem-se pelo msn. Em 2007 conheci-o pessoalmente. Estava a planear um interrail de férias pela europa com dois amigos da faculdade, e como passávamos pela Alemanha e Austria, lembrei-me de o convidar. Bom, as peripécias dessa viagem talvez as conte num novo post (porque dão pelo menos um post ou, quiçá, um livro). Nem sempre foi fácil de lidar com B, ele não age de todo segundo os padrões normais. Mas o interrail teria sido bem menos colorido sem ele.

Não deve ter sido ser fácil de todo fazer amigos na escola. Com 15 e depois com 17 anos, B foi expulso de casa pela mãe durante dias e viveu como sem abrigo. Pouca estrutura familiar tem e no fundo enfrenta o futuro sozinho, com um cérebro que não é desenhado para desempenhar as funções sociais mundanas com habilidade. Mas é um génio. É mais um exemplo de muitos para ilustrar a importância da tolerância e celebrar a diversidade. Especialmente nós que vivemos num país homogéneo em tons de cinza.

9.15.2009

Primeiro post intimista de uma possível série deles (medo)

Temo que o que vá saír algo parecido com o tipo de pop psychology que uma rapariga adolescente de 15 anos escreveria. Como nunca cheguei a ser uma rapariga adolescente de 15 anos, perdoem-me, não custa experimentar. Não digam é a ninguém que este blog existe.

---

Tive um momento de quando vi o filme Scarface. Apercebi-me que o meu melhor amigo, que me recomendava o filme há bastante tempo, segue uma narrativa semelhante ao Tony Montana. A mesma crença e ambição por poder e dinheiro, a mesma atitude "take no shit from nobody", a desconfiança pelo mundo em geral e das pessoas em particular... até o gosto por mulheres, como a Elvira - blasé, high-maintenance e preferivelmente que o tratem mal. Possivelmente viu o filme numa idade impressionavel e o fascínio ficou. Subconscientemente, o meu melhor amigo vive em parte seguindo uma narrativa tirada do Tony Montana. (ele é um gajo 5 estrelas, que não se entenda outra coisa por este parágrafo)

Por vezes, no processo de se conhecer uma pessoa, há um momento, um click, em que tudo passa a fazer sentido. Sinto que passei a compreender bem melhor a maneira de estar, de agir, as motivações e os sonhos dessa pessoa. Para além do momento em cima, já aconteceu quando visitei a terra natal de amigos meus e vi como cresceram, quando conheci o grupo de amigos dessa pessoa, ou até num momento de maior candúra durante uma conversa. Antes do 'click', todo o conhecimento que tinha sobre essa pessoa eram factos e observações. A partir desse momento chave finalmente passei a ter um melhor "understanding" do intangível. Não por ter adquirido um dado novo ou observado algo que não tinha observado antes, mas porque finalmente compreendi a narrativa ou 'história' dessa pessoa.

Ando considerar a ideia de que todos seguimos narrativa. Quando pensamos no passado, não o pensamos como uma série de eventos aleatórios. Somos selectivos e construímos a imagem do nosso passado que se encaixa numa narrativa que nós criamos. Quando imaginamos ou fantasiamos o futuro estamos ao mesmo tempo a construir uma narrativa que gostávamos de ter, e a construí-la a partir da imagem que temos de nós próprios e as ambições que temos no presente. Lidamos com o presente enquadrando-o na nossa narrativa. Rejeitamos opiniões e factos que forem contra a nossa visão do mundo (conceito que está relacionado com as narrativas); interessamo-nos e pelo que se enquadra a favor. Nunca lidamos objectivamente com a realidade do presente, ou com o passado.

Nada disto é propriamente novo. O que me interessa escrever são observações e desabafos de como este 'modelo' se enquadra na minha realidade. Mas não fica para já.

7.12.2009

Eu Sabia! II

Bad language could be good for you, a new study shows. For the first time, psychologists have found that swearing may serve an important function in relieving pain.

http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=why-do-we-swear

Vou ali e já volto


7.11.2009

Cinematecla e Musicatecla - Bruno & Portishead



Entreteve-me. Quer se queira, quer não, o Bruno, juntamente com o Borat, ficará para a história pelo estilo de humor inédito em cinema. Há quem ache repulsivo, mas é suposto. É preciso uma mente aberta - e um bocado parva. Enfim, se gostaram do Borat então devem ver.



Infelizmente só tinha 7 anos quando os Portishead lançaram o album Dummy. Graças ao MTV Insomnia descobri este album e não quero outra coisa. Singles aqui - Sour Times, Glory Box, Roads. E eles são de Bristol! Sabem onde é que fica Bristol? Fica ao pé de Bath! !! Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaath!!!!!

Deixava mais uma nota: quando o pessoal tiver conversas nostalgicas sobre a musica dos anos 90 podíamos evitar concentrar-nos nos Ace of Base, nos Venga Boys ou em Sash.

7.07.2009

Musicando - Ingrid Michaelson

Apesar de "Be OK" estar na moda com o anúncio da McDonalds, não posso deixar de achar deliciosa cada música que me passa pelos ouvidos.

As suas canções já foram ouvidas em séries de culto como Scrubs, Grey's Anatomy e One Tree Hill. Faz lembrar Lilly Allen mas sem raiva. Vale a pena escutá-la... Ingrid Michaelson

7.06.2009

Free Everything

An ever-larger share of our personal satisfaction will come from free or near-free sectors of the economy, as I explain in my new book "Create Your Own Economy". But those same sectors won’t comprise such a large chunk of gdp.

(...)

Sources of free or near-free fun are rising in importance. This will make people more willing to take lower-paying but higher-fun jobs. When you get home, there is plenty of good stuff which you can afford on the more limited paycheck.

Tyler Cowen para o The Economist blog
Achei interessante. Tyler Cowen refere-se às fontes grátis de informação e entretenimento com o advento da Internet e mundo digital.

Será que não acontece um fenómeno semelhante em países como a Alemanha em relação a nós? Os salários lá são geralmente altos, o que dá ao Alemão médio acesso a um nivel conforto bastante razoável. Daí que o Alemão médio trabalhe menos 313 horas por ano que o Português médio e que o ensino universitário Alemão dure normalmente até aos 25 anos. A partir de certa altura, há benefícios marginais decrescentes à medida que os salários aumentam.

É conveniente que o fenómeno "free" esteja agora no seu apogeu, uma altura em que os salários reais não têm crescido muito, nem se antevê que aumentem num futuro próximo.

Days With My Father

Recomendo, para quando tiverem um tempinho:
http://www.dayswithmyfather.com/

7.05.2009

O Teste do Eneagrama

No final desta semana estive num retreat como a minha equipa de trabalho. Pelo meio fizemos um teste de Personalidade que, independentemente de ser demasiado simples para ser levado à letra ( ou ao número neste caso), deu resultados muito interessantes e credíveis.

Fica aqui a sugestão para realizarem - The Enneagram Test

Cinematecla - State of Play


Com um rating de 7.6/10 no IMDB, este é um dos filmes que aconselho a não perder este Verão, não porque seja uma obra-prima mas porque certamente não darão os 127 minutos que dura por perdidos (e nem darão por eles a passar, verdade seja dita...)

Além disso, não é todos os dias que se vê o Russel Crowe transformar-se num jornalista solitário gordo que nem um texugo mas que procura a verdade (onde os campos do pessoal e do profissional se cruzam) acima de tudo. E pelo meio recebem de prenda um thriller emocionante, entre o jornalismo de investigação, os poderes de uma empresa de segurança privada que quer controlar os EUA e a vida recheada de um Senador (Ben Affleck) preso nas teias que ele próprio criou.

A história está interessante, a fazer lembrar o Basic (2003) com alguns twists and turns que os mais atentos não vão deixar de antever mas que não deixam de surpreender.

A única crítica que tenho a apontar é que, no final, parece que não sobrou tempo para mais substância, o que com 127 minutos pode não ser assim tão necessário.

A não perder neste momento nos cinemas portugueses - Ligações Perigosas

O Meu Post Introdutório

Pois é, andam os outros dois TIPOS a escrever vai para lá de três semanas e esta TIPA em falta. Mas não passa de hoje!

O Estereo-tipos surgiu para mim como resposta a 3 necessidades:
  1. voltar a ler coisas escritas pelos TIPOS e discuti-las
  2. ter um local de encontro de ideias partilhadas (sem ser só entre mim e o meu diário)
  3. para além de servir para usar o trocadilho Estereo-tipos ainda não sei muito bem de outra necessidade deste blog mas acho que vou descobri-la à medida que for participando com os outros dois TIPOS...
Eu cá é que não sei mesmo sobre o que vou escrever mas entre Cinema, Música, Livros, Actualidade, Vida Pessoal, Personalidades e Energia alguma coisa me há-de surgir. Só esperemos que não demore muito... ;)

"Que raio de sociedade estamos nós a construir? "

Das duas uma, ou a malta gosta de se cultivar, ou andamos mesmo mais perturbados, stressados, angustiados, sei lá! E depois tentamos achar as respostas num livro.. Não é brilhante. Que raio de sociedade estamos nós a construir?

- ta, numa tirada um pouco de esquerda, 2009.
Não acho que seja uma questão preocupante civilizacional. Sugiro várias hipoteses para uma assumida subida de vendas de livros de auto-ajuda:
  • As pessoas têm maiores níveis de educação e consequentemente maior "self-awareness" que as leva a pensar sobre o seu próprio comportamento e felicidade.

  • Crescente percentagem de empregos envolvem maior criatividade e estão enquadrados num ambiente mais social. Isto leva as pessoas a procurar desenvolver as suas competências sociais através de livros intitulados "Lidar com os outros", ou "Persuasão".

  • Decrescente papel da religião na vida das pessoas. A religião vê a vida como uma passagem para o próximo passo e o objectivo durante a vida é garantir um lugar no céu. Para os não religiosos, o objectivo de vida é a felicidade. Daí que seja natural que os não-religiosos procurem entender melhor o fenómeno da felicidade.
Estes factores parecem-me mais provaveis. Por outro lado, o optimista em mim nunca aceitaria a tese do ta, portanto há algum bias. :)

Escaldão na cara

Foi claramente do ténis. Ao menos Gestão deu claramente uma tareia em Economia. Que se diga, estava muito mal representada.